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Não será obrigatória esta vacina e ponto final, afirma Bolsonaro sobre Coronavac

Publicado em: 20/10/2020

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse a apoiadores nesta segunda-feira (19) que a vacina contra Covid-19 não será obrigatória.
 
A manifestação vem na esteira da declaração do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que afirmou que a vacinação contra o novo coronavírus em São Paulo será obrigatória, exceto para pessoas que apresentem alguma restrição avalizada por um médico.
 
“O meu ministro da Saúde já disse claramente que não será obrigatória esta vacina e ponto final”, disse Bolsonaro a apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada, como mostra vídeo divulgado por bolsonaristas.
 
Ao contrário do que fez durante toda a pandemia em relação à hidroxicloroquina, para a vacina, Bolsonaro tem defendido a necessidade de comprovação científica para a aplicação das doses.
 
“Da nossa parte, a vacinação, quando estiver em condições de, depois de aprovada pelo Ministério da Saúde e com comprovação científica e, assim mesmo, ela tem que ser validada pela Anvisa, daí nós ofereceremos ao Brasil, de forma gratuita, obviamente. Mas repito: não será obrigatória”, disse Bolsonaro.
 
“Tem que ter comprovação científica. O país que está oferecendo esta vacina tem que primeiro vacinar em massa os seus, depois oferecer para outros países”, afirmou o presidente.
 
Uma lei de fevereiro deste ano, assinada por Bolsonaro, prevê a possibilidade de realização compulsória da imunização.
 
Doria afirmou ainda que, por parte de São Paulo, não haverá politização em relação à vacina e que espera a mesma postura por parte de Bolsonaro, que foi nominalmente citado e criticado pelo governador por sua ação durante a pandemia na semana passada.
 
Doria disse que vai se reunir com o ministro da Saúde e com o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesta quarta-feira.
 
Após as declarações do governador, mas sem citá-lo, Bolsonaro publicou em suas redes sociais a legislação que trata sobre “realização compulsória de vacinação e outras medidas profiláticas para o enfrentamento da pandemia”.
 
“[…] o Governo do Brasil não vê a necessidade de adotar tais medidas NEM RECOMENDARÁ SUA ADOÇÃO [da vacina] por gestores locais”, diz a publicação do presidente, adversário político de Doria. O destaque gráfico é da publicação de Bolsonaro.
 
“O Ministério da Saúde irá oferecer a vacinação, de forma segura, sem açodamento, no momento oportuno, após comprovação científica e validada pela Anvisa, contudo, sem impor ou tornar a vacinação obrigatória”, seguiu Bolsonaro na publicação da semana passada.
 
Nesta segunda-feira, ele afirmou que “tem um governador aí que está se intitulando o médico do Brasil dizendo que ela [a vacina] será obrigatória”. “Repito que não será”, afirmou Bolsonaro.
 
A Coronavac, imunizante contra a Covid-19 criado pela chinesa Sinovac e que será produzida em conjunto no Brasil pelo Instituto Butantan, mostrou-se segura em seu teste da chamada fase 3 (a última antes da aprovação) em 50 mil voluntários na China.
 
A Sinovac testa seu imunizante em dez países, e a vacina já foi aprovada para vacinação emergencial no seu país de origem. No Brasil, 5.600 dos 9.000 voluntários em 12 centros de pesquisa de cinco estados e do Distrito Federal já receberam ao menos uma dose da vacina.
 
Se a Coronavac se provar eficaz, São Paulo vai protocolar na Anvisa um pedido para liberação emergencial da campanha de vacinação.
Diante da pressão no Orçamento, que tem cerca de 95% de gastos obrigatórios, o ministro disse que tentará aprovar no Congresso medidas para reduzir essas despesas fixas, abrindo margem para outras.
 
Por isso, ele voltou a falar da necessidade de desindexar o Orçamento e, a partir de 2021, retomar a agenda de controle fiscal, já que, por causa da pandemia, foram autorizados gastos extraordinários em 2020.
 
De acordo com o ministro, o abandono do teto de gastos só deveria ser discutido após a aprovação de medidas como a desindexação e desvinculação do Orçamento.
 
Guedes ainda fez um balanço das ações adotadas pelo governo para enfrentar a crise econômica causada pelo coronavírus, como o programa para preservar empregos formais, medidas de estímulo ao crédito.
 
“O Brasil gastou 10% do PIB nessa operação de socorro, preservando vidas e empregos”, disse o ministro, reforçando que isso foi necessário e bem aplicado.
 
Para acelerar a recuperação da economia, Guedes voltou a defender reformas estruturais, como a reestruturação do funcionalismo público e a reestruturação do sistema tributário, além dos processos de privatização.

Fonte: TC Online