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Sífilis no ES cresce 43 vezes

Publicado em: 19/10/2020

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Os casos de sífilis no Espírito Santo subiram mais de 4.000% nos últimos 10 anos. Especialistas apontam que a crescente de diagnósticos tem foco em jovens abaixo dos 30 anos. A falta de conscientização e diálogo é apontada pelos especialistas como um dos principais motivos desse crescimento.

 

“A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica, causada por agente bacteriano. A principal forma de contágio é por meio do contato sexual, ou por transmissão vertical materno fetal, mas também pode ser feito – em menor proporção – através de transfusão sanguínea”, explica o urologista Dr. Marcus Vinicius Carvalho.

 

O doutor destaca que, caso não seja tratada, a sífilis pode causar de alterações na visão, paralisia de nervos e problemas no coração. Porém, com o diagnóstico precoce, tem cura. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e do Ministério da Saúde, o número de casos no Espírito Santo saltou de 118 (em 2010) para 5.123 (em 2019).

 

O urologista conta que se preocupa porque, hoje, as pessoas estão menos conscientes em relação à prevenção. “Isso vem muito do desconhecimento dos jovens de até 30 anos, que não vivenciaram a época dos altos casos de AIDS e HIV. Então, mesmo com campanhas de prevenção e de incentivo do uso de preservativos, há um descaso em relação a essa questão”.

 

A sífilis é uma doença silenciosa, que, muita das vezes, começa assintomática e indolor. Por esse motivo, é importante que pessoas com vida sexualmente ativa façam o teste anualmente. “A gente divide a sífilis em duas fases: precoce e tardia. A fase precoce é constituída pela sífilis primária e secundária, onde o diagnóstico é feito de maneira mais comum. A sífilis primária ocorre de três a quatro semanas após o contato sexual. Geralmente de manifesta através de uma úlcera indolor de bordas elevadas na região genital. É nesse momento que o índice de transmissão é maior”.

 

Existem três tipos de sífilis: a adquirida (transmitida entre adultos), gestante (detectada durante a gravidez) e a congênita (passada para o feto). Para quem planeja uma gravidez, a recomendação é que o casal faça os exames previamente. E caso já exista a gestação, o pré-natal também é recomendado ao casal, para que tanto a sífilis quanto outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) sejam detectadas.

 

O Espírito Santo é o 4º estado do Brasil com o maior número de casos de sífilis adquirida. De acordo com a ginecologista e referência técnica da coordenação estadual de ISTs, Bettina Moulin, o aumento também se deve ao maior número de testagens e feito um plano estadual de combate à sífilis, onde o sistema de saúde fornece mais testagens rápidos nos municípios. “Em até 20 minutos o paciente já tem os resultados e pode começar o tratamento imediatamente. Além de campanhas de prevenção, distribuição de camisinhas e treinamento dos profissionais de saúde”.

 

Com a campanha, o Espírito Santo conseguiu, desde 2017, reduzir o número de sífilis congênita. Em 2017, foram registrados um total de 641 casos, enquanto no ano passado os dados reduziram para 468. “Há mais detecção da sífilis. Porém, houve uma melhora no tratamento a partir de um conjunto de ações”.

 

Prevenção

De acordo com a ginecologista, a melhor forma de prevenção é através do preservativo. Mas também destaca a importância do diálogo, conscientização e testagem. “O recomendado é que os testes de sífilis e HIV sejam parte dos exames de rotina. Não há falta de testes na rede pública de saúde. O que acontece é uma falta de preocupação em relação à doença. As pessoas acham que não estão em risco ou porque confiam no parceiro. Em primeiro lugar, deve ser feito o uso da camisinha”.

 

Apesar das recomendações, cada relação é pessoal. Portanto, acima de qualquer coisa, o diálogo é fundamental. “Caso o casal decida abrir mão do preservativo, isso deve ser feito com exames regulares. Sabendo que sem a camisinha as pessoas estão automaticamente em risco. Por isso, o diálogo e conscientização são parte importante da educação sexual, tanto entre o casal, quanto entre pais e filhos, quanto da família com os parentes idosos conversarem sobre o assunto”.

 

Responsabilidade nas relações também é importante.  “Caso a pessoa que está solteira seja detectada positivo para a doença, deve entrar em contato com as pessoas com quem teve relação sexual para evitar que outros sejam contaminados”.


Fonte: Jornal A Ilha