No caso realizado na Flórida, Patel utilizou um sistema experimental da empresa MicroPort MedBot, chamado Toumai. O equipamento permite controlar remotamente os instrumentos cirúrgicos utilizados na retirada da próstata.
A cirurgia integrou um estudo clínico autorizado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês). A autorização permite investigar a tecnologia em condições controladas, mas não significa que o sistema tenha recebido aprovação para uso clínico amplo nos Estados Unidos.
Antes do procedimento entre os dois hospitais americanos, pesquisadores haviam realizado cerca de dez cirurgias experimentais conectando unidades de saúde em Orlando, nos Estados Unidos, e Luanda, em Angola, separadas por mais de 11 mil quilômetros.
Quais são os riscos da tecnologia?
Embora a telecirurgia possa ampliar o acesso a médicos especializados, a segurança e a eficácia da técnica ainda estão em avaliação. O estudo investiga fatores como resultados clínicos, confiabilidade da conexão, desempenho dos equipamentos e proteção contra ataques cibernéticos.
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Além dos riscos associados à própria cirurgia de retirada da próstata, como sangramento, infecção, incontinência urinária e disfunção erétil, a operação remota acrescenta outras possibilidades de complicação. Falhas de conexão, problemas técnicos e ataques cibernéticos podem comprometer o procedimento.
Por isso, a presença de profissionais qualificados junto ao paciente é fundamental para permitir uma intervenção imediata caso o sistema apresente algum problema.
Em comunicado divulgado pelo hospital, Patel destacou que a pesquisa busca avaliar se a tecnologia poderá reduzir as barreiras geográficas no acesso a tratamentos especializados.
— Durante gerações, o acesso a cuidados altamente especializados dependeu, muitas vezes, de onde uma pessoa mora. Este estudo nos permite avaliar se a telecirurgia poderá, um dia, ajudar a reduzir as barreiras geográficas ao tratamento especializado — afirmou o médico, segundo a ABC News.
O cirurgião ressaltou, porém, que questões importantes sobre segurança, eficácia e desempenho técnico continuam sob investigação.
Cirurgia remota já foi realizada entre países
O procedimento na Flórida ocorreu meses depois de outra cirurgia robótica à distância que ganhou destaque na comunidade médica. Na ocasião, um cirurgião em Londres, no Reino Unido, realizou a retirada da próstata de um paciente em Gibraltar, território britânico localizado a cerca de 2,4 mil quilômetros da capital inglesa.
Segundo o The Guardian, a operação utilizou um robô com quatro braços e uma câmera 3D. O intervalo entre os movimentos do cirurgião e a resposta do equipamento foi de apenas 0,06 segundo.
Apesar dos avanços, os procedimentos ainda fazem parte de uma área em desenvolvimento. A realização bem-sucedida de uma cirurgia isolada não comprova, por si só, que a telecirurgia possa ser adotada de forma ampla ou que ofereça os mesmos níveis de segurança em diferentes condições clínicas e de conexão.