Paulo Henrique Carvalho Faccin, de 28 anos, morreu após ser baleado na cabeça por Luan de Oliveira Cleto, 25 anos, em Cachoeiro de Itapemirim. O soldado havia se formado há um ano e estava para fazer CFO.
"Mais do que um simples irmão de farda para mim". Foi com essas palavras que um amigo soldado definiu o policial militar Paulo Henrique Carvalho Faccin, 28 anos, que morreu após ser baleado na cabeça durante uma abordagem a um foragido, em Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Espírito Santo, na tarde de sábado (15).
O tiro foi disparado por Luan de Oliveira Cleto, de 25 anos, que era foragido do sistema prisional. Após os tiros, ele também foi morto por outro policial que participava da ação.
Durante a abordagem, Luan partiu para cima de Paulo Henrique, conseguiu tomar a arma do PM e atirou na cabeça dele. O caso aconteceu no bairro São Luiz Gonzaga, próximo a um bar no local.
Paulo Henrique sonhava se tornar oficial da corporação e construir uma família. Paulo Henrique tinha uma lealdade que vi em poucas pessoas no mundo. Isso vou levar de exemplo para mim. Sempre foi um exemplo para as pessoas ao redor, cuidadoso e protetor", disse o amigo, que preferiu não se identificar.
Os dois se conheceram durante o curso de formação para soldado. "A gente sempre falava que nosso sonho não parava por ali, que a gente buscaria coisas maiores. Essa sempre foi a vontade dele", completou o amigo.
O soldado Paulo Henrique pertencia ao 9° Batalhão e tinha se formado na turma de 2025 da PM. Nas redes sociais, compartilhava um estilo de vida saudável, com uitas fotos de corrida de rua. Ele também tinha uma namorada e voltou a estudar recentemente.
"Mês passado ele voltou a estudar para fazer a prova do CFO. Estava focado. Começou a namorar. Era o sonho dele. E ver como tudo isso aconteceu, é inacreditável", completou o amigo.
A família do soldado Paulo Henrique não quis gravar entrevista. O corpo foi velado no Batalhão da PM, em Cachoeiro, desde a madrugada de domingo (16). O local ficou lotado de colegas da polícia, além de amigos e familiares. Depois, o corpo do soldado foi levado num carro dos Bombeiros para o cemitério do Aeroporto. O governo do estado decretou luto oficial de três dias.
"Vai deixar muita saudade, não só para mim, mas para muitas pessoas. É seguir o exemplo dele. Não vai ser fácil depois disso", disse o colega, que também revelou como ficou sabendo do caso.
"Fiquei sabendo pelo WhatsApp. Falaram que tinha uma ocorrência envolvendo um policial. Perguntei quem era, e me falaram que era o Paulo Henrique. Não consegui prestar atenção em mais nada".
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/B/P/Hv7k4KQaG1OQ8EUZys8Q/thumb-fotos-43-.jpg)
Segundo testemunhas, policiais realizavam uma abordagem a pessoas em um bar no bairro Gonzaga, em Cachoeiro, quando, de repente, Luan teria partido para cima do policial e iniciado uma briga. Nesse momento, ele conseguiu tomar a arma do PM, que acabou sendo baleado na cabeça.
Foi nesse momento que o parceiro do policial baleado também atirou e matou Luan. Imagens que circulam em grupos de mensagens, moradores que estavam no local levaram o policial para dentro de uma viatura.
No caminho para o hospital, o pneu do carro furou. Depois, com ajuda de moradores, colocaram o PM em outro carro para levá-lo até a Santa Casa de Cachoeiro.
O comandante do Batalhão de Cachoeiro, tenente coronel Nerio Filho, confirmou que o policial baleado morreu no hospital.
Luan estava foragido do sistema prisional, tinha mandado de prisão em aberto e ainda faltava cumprir três anos e dez meses de prisão.
Segundo a Polícia Civil, o corpo do suspeito foi encaminhado à Seção Regional de Medicina Legal (SML) da Polícia Científica, em Cachoeiro de Itapemirim, para ser necropsiado e, posteriormente, foi liberado aos familiares.