Um padre do Espírito Santo continua sendo investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos provenientes dos dízimos de uma igreja. A Justiça negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do religioso e manteve o andamento do inquérito policial que apura o caso.
Na decisão, assinada parcialmente em 9 de julho, o magistrado também recomendou que a Polícia Civil conclua as diligências pendentes e apresente o relatório final com a maior brevidade possível.
Como a investigação ainda está na fase de inquérito policial, sem denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) ou abertura de ação penal, a identidade dos investigados e o município onde os fatos ocorreram estão sendo preservados. O processo tramita sob segredo de Justiça.
De acordo com os autos, a investigação teve início após suspeitas de desvios de valores arrecadados por meio dos dízimos da igreja.
Durante o inquérito, um ex-funcionário confessou participação nos furtos e afirmou à Polícia Civil que o padre teria colaborado com o esquema, inclusive permitindo o acesso ao local onde o dinheiro era armazenado.
O religioso, por sua vez, nega qualquer participação nos fatos investigados.
No pedido apresentado à Justiça, a defesa alegou que a investigação se arrasta desde 2022 sem conclusão e sustentou que não existem provas suficientes para justificar sua continuidade, argumentando que a suspeita estaria baseada apenas no depoimento do ex-funcionário que confessou os furtos.
Ao analisar o caso, o juiz entendeu que a confissão do ex-funcionário constitui, neste momento, um indício suficiente para justificar a continuidade das investigações.
O magistrado destacou que a veracidade das declarações deverá ser analisada durante a instrução do inquérito e que esse exame aprofundado das provas não pode ser realizado por meio de um pedido de habeas corpus.
Apesar de manter a investigação, o juiz observou que o procedimento já ultrapassa três anos de duração e determinou que a Polícia Civil finalize as diligências pendentes e encaminhe o relatório ao Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça ou solicita o arquivamento do caso.
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou novas informações sobre a investigação. O Ministério Público confirmou apenas que o procedimento tramita sob sigilo.