
O ex-policial militar Lucas Torrezani senta no banco dos réus a partir das 9h desta quarta-feira (20), acusado de assassinar o músico Guilherme José Rocha Soares. O julgamento será realizado no Tribunal do Júri de Vitória.
O crime aconteceu em 17 de abril de 2023, dentro de um condomínio onde vítima e acusado moravam. Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), os conflitos entre moradores e o grupo do então policial eram frequentes havia pelo menos quatro meses, motivados por barulho excessivo durante a madrugada.
De acordo com a acusação, Lucas e amigos costumavam permanecer em áreas comuns do prédio consumindo bebidas alcoólicas, fumando, conversando em voz alta e ouvindo música durante a madrugada, situação que gerava reclamações constantes dos moradores e notificações feitas pelo síndico.
Na noite do crime, Guilherme teria feito um primeiro pedido para que o grupo reduzisse o barulho. Sem resultado, voltou ao local para uma segunda tentativa.
Segundo o MPES, foi nesse momento que ocorreu a discussão.
“Eu sou PM, o que você vai fazer?”, teria dito Lucas após sacar a arma, segundo a denúncia.
Ainda conforme o Ministério Público, minutos depois houve uma luta corporal e Guilherme acabou atingido por um disparo.
A vítima ainda tentou deixar o local, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo a denúncia, a esposa do músico tentou socorrê-lo, porém foi impedida de se aproximar.
O Ministério Público também relata que, dias após o crime, o acusado teria enviado uma mensagem em um grupo fazendo referência ao caso:
“Ele queria dormir, agora dormiu.”
Em junho de 2023, a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público, tornando Lucas réu no processo.
Já em dezembro de 2024, a Corregedoria da Polícia Militar decidiu pela demissão do então soldado. Atualmente, o Portal da Transparência do Estado aponta a situação funcional do acusado como “desligado”.
Com a perda da prerrogativa relacionada à função militar, Lucas, que está preso desde abril de 2023, foi transferido do quartel da corporação para a Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana, onde aguardou julgamento.
No dia do crime, Lucas estava acompanhado do amigo Jordan Ribeiro de Oliveira, que também chegou a ser denunciado pelo Ministério Público.
Entretanto, em dezembro de 2024, a Justiça decidiu não prosseguir com a acusação contra ele por ausência de provas.
A defesa informou que Jordan apenas tentou separar a confusão e não participou do homicídio.
A advogada Anna Karla Santos, responsável pela defesa de Lucas Torrezani, afirmou que a versão de que o crime ocorreu por causa de som alto não corresponde ao que foi apurado durante o processo.
Em nota, a defesa destacou:
“É policial militar de carreira, profissional reconhecido por sua conduta exemplar, sem histórico de envolvimento com a criminalidade, sem qualquer antecedente ou fato que desabone sua trajetória pessoal e profissional.”
A defesa sustenta ainda que o episódio foi um fato isolado na vida do acusado e afirma que será demonstrado aos jurados que ele teria agido em contexto de legítima defesa.