
Neste domingo (26), é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, data que reforça a importância da conscientização sobre o diagnóstico precoce e o tratamento da chamada “pressão alta”. A Secretaria da Saúde do Espírito Santo alerta que o controle da doença é fundamental para evitar complicações graves.
A hipertensão arterial é uma condição crônica caracterizada pelo aumento persistente da pressão sanguínea nas artérias. Considerada uma das doenças mais comuns no mundo, pode evoluir de forma silenciosa e causar sérios danos à saúde quando não tratada adequadamente.
De acordo com o médico cardiologista Werther Mônico Rosa, a doença afeta principalmente artérias de pequeno calibre, provocando alterações que sobrecarregam o coração e todo o sistema cardiovascular.
“Uma vez que a hipertensão já tenha causado lesão nesses órgãos, dificilmente eles recuperam a função original, e o paciente passa a ser considerado de maior risco”, explicou.
Entre as principais complicações estão o Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto, doenças coronarianas, problemas na retina — que podem comprometer a visão — e doenças renais, que podem levar à necessidade de diálise.
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 29,7% da população brasileira é hipertensa. No Espírito Santo, aproximadamente 1,1 milhão de pessoas podem conviver com a doença.
Embora não seja de notificação obrigatória, o Sistema de Informações Hospitalares do SUS registrou 713 internações por hipertensão no Estado em 2025 — um aumento de 17,2% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 608 internações.
A hipertensão tem forte componente hereditário, presente em cerca de 90% dos casos, mas também está associada a hábitos de vida. Entre os principais fatores estão:
O cardiologista destaca que o consumo elevado de sal é um dos principais vilões. A Organização Mundial da Saúde recomenda ingestão máxima de 2 gramas por dia, considerando tanto o sal adicionado quanto o presente nos alimentos industrializados.
A prevenção pode ocorrer antes ou após o diagnóstico. No primeiro caso, o foco está na adoção de hábitos saudáveis, como prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada, controle do peso, redução do estresse e abandono do cigarro.
Para quem já tem diagnóstico, o objetivo é evitar complicações. Isso inclui adesão rigorosa ao tratamento, acompanhamento médico e controle de doenças associadas, como o diabetes.
A Sistema Único de Saúde oferece acompanhamento contínuo por meio da Atenção Primária à Saúde, além da distribuição de medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Especialistas também alertam para a necessidade de atenção entre jovens, especialmente aqueles com histórico familiar. O diagnóstico precoce e o início do tratamento antes do surgimento de lesões são determinantes para reduzir riscos futuros.
“O estímulo a um estilo de vida saudável desde a infância é essencial para prevenir a hipertensão e garantir qualidade de vida ao longo dos anos”, concluiu Werther Mônico Rosa.