
Para um mecânico de 52 anos, o toque do celular tornou-se motivo de desconfiança. Com cerca de 10 chamadas diárias de números desconhecidos, ele decidiu não atender mais ninguém. O medo é fundamentado: criminosos estão profissionalizando a fraude, estruturando verdadeiros escritórios do crime em salas comerciais para aplicar golpes financeiros em massa.
Investigações da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa) apontam que esses “call centers” são operados majoritariamente por facções de São Paulo e Rio de Janeiro. No Espírito Santo, embora não haja bases fixas atualmente, o delegado Fabiano Alves Azevedo de Melo recorda que, há dois anos, um grupo carioca chegou a montar um escritório no centro de Vitória, fugindo pouco antes da chegada da polícia.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta para o uso da técnica de spoofing, onde o bandido consegue mascarar o número de origem, fazendo com que o visor do celular da vítima exiba o número real da agência bancária ou do SAC do banco.
A abordagem: O falso gerente alega movimentações suspeitas ou clonagem de cartão.
A manipulação: O criminoso induz a vítima a fornecer senhas, tokens ou realizar transferências para “proteger” a conta.
Regra de ouro: Bancos nunca pedem senhas, códigos de acesso ou que o cliente realize transações durante uma ligação.
Os criminosos diversificam as estratégias para capturar diferentes perfis de vítimas:
Falsa Central Telefônica: Usam um sistema que impede o encerramento da chamada. Mesmo que a vítima desligue e tente ligar para o banco, ela continua conectada à linha dos golpistas sem perceber.
Falsos Sorteios: Histórias de prêmios de programas de TV onde a vítima precisa pagar uma “taxa de liberação” via Pix (geralmente entre R$ 500 e R$ 1.000).
IA e Clonagem de Voz: O uso de Inteligência Artificial para simular a voz de parentes já é uma realidade que mantém a população em alerta.
Se você caiu em um golpe ou forneceu dados suspeitos, a orientação é clara:
Notifique o Banco: Ligue imediatamente para os canais oficiais para bloquear aplicativos, cartões e senhas.
Boletim de Ocorrência: O registro é essencial para a investigação e pode ser feito presencialmente ou pela Delegacia Online.