
A cúpula da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) vive um momento de forte turbulência. O delegado-geral da instituição, José Darcy Arruda, foi alvo de uma notícia-crime protocolada junto à Polícia Federal e ao Ministério Público (MPES). A denúncia, apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres, acusa o chefe da corporação de coação a testemunha, abuso de autoridade e obstrução de investigação de organização criminosa.
O caso é um desdobramento da Operação Turquia, uma investigação federal e do Gaeco que apura o desvio de armas e drogas por policiais do Departamento de Narcóticos (Denarc).
A tensão escalou após a veiculação de uma reportagem nacional onde o delegado Alberto Roque Peres confirmou depoimentos sigilosos prestados à Polícia Federal. Nas declarações, um criminoso detido apontava um investigador da PCES como o “maior traficante do Espírito Santo”.
Segundo a denúncia de Alberto, a reação de Arruda foi imediata e intimidatória:
Redes Sociais: Arruda teria anunciado publicamente que o delegado Alberto seria investigado pela Corregedoria.
Ofício de Investigação: Foi formalizado um pedido (CI Nº 034/2026) para apurar a conduta funcional de Alberto ao tomar conhecimento dos crimes.
Para a defesa de Alberto Roque Peres, as ações não são isoladas:
“Não são eventos isolados; é uma reação direta, uma retaliação à colaboração do noticiante com a investigação federal. Tais ações vão contra os interesses da União em proteger a integridade de suas investigações e a segurança de suas testemunhas.”
A denúncia traz à tona um histórico gravíssimo que remonta a 2017. O policial civil Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, o “Dudu”, é apontado como peça-chave no esquema. Mesmo após ser afastado do Denarc há nove anos, ele teria continuado a interferir em operações sensíveis, como a apreensão de fuzis em Cariacica.
A notícia-crime afirma que a cúpula da PCES foi alertada diversas vezes sobre a conduta “duvidosa” de Eduardo Tadeu, mas as investigações internas não teriam avançado.
O delegado-geral, José Darcy Arruda, negou veementemente qualquer tentativa de coação. Em sua defesa, ele sustenta que o objetivo da Corregedoria é localizar documentos que ainda não foram encontrados nos arquivos da instituição.
“Não tive e não tenho nenhuma intenção de coagir um delegado de polícia ou mesmo interferir em uma investigação. Nossa intenção é que ele [Alberto] apresente o que possui, pois ainda não localizamos as denúncias citadas por ele em nosso sistema.”
Arruda explicou que, como as comunicações antigas eram feitas em papel, solicitou o desarquivamento de caixas para rastrear o que foi feito em relação ao policial Eduardo Tadeu e por que as investigações ficaram paralisadas por tanto tempo. Ele afirmou ainda que não conhecia o investigador pessoalmente.
O material agora está nas mãos da Polícia Federal e do Ministério Público Estadual. A investigação deverá determinar se a abertura de procedimento na Corregedoria foi um ato administrativo legítimo ou se configurou, de fato, um instrumento de pressão política e jurídica contra uma testemunha federal.