
O debate sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro das discussões no país e foi defendido pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante visita ao Espírito Santo na quarta-feira (11).
Segundo o ministro, a transição para a escala 5×2, com duas folgas semanais, pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e também trazer ganhos de produtividade para as empresas.
Marinho esteve no Estado para cumprir agenda relacionada ao Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura e comentou o debate nacional sobre o possível fim da escala 6×1.
“O debate sobre a redução de jornada de trabalho é antigo. O mundo vem evoluindo, e o Brasil também. Quando caiu de 60 para 48 horas e depois para 44 na Constituinte de 1988, o mesmo debate aconteceu de forma muito acalorada. Diziam que ia gerar desemprego, aumentar a informalização, quebrar empresas. Nada disso aconteceu”, afirmou o ministro.
Na avaliação de Marinho, o modelo atual de organização do trabalho tem provocado impactos negativos tanto na saúde dos trabalhadores quanto no desempenho das empresas.
“O mercado de trabalho tal como está hoje anda adoecendo muita gente. Quando você tem pessoas ficando doentes por causa do ambiente de trabalho, você impacta diretamente na produtividade e na qualidade”, disse.
Para o ministro, o fim da escala 6×1 seria um passo importante para melhorar as condições de trabalho. Ele classificou o modelo como “rejeitadíssimo no mundo” e destacou que a mudança pode trazer efeitos positivos especialmente para as mulheres.
Segundo Marinho, jornadas mais organizadas e com descanso adequado ajudam a reduzir o absenteísmo — faltas ou afastamentos não programados — além de diminuir acidentes e problemas de saúde mental.
Atualmente, duas propostas de emenda à Constituição discutem a redução da jornada no Congresso Nacional. Uma delas é a PEC nº 221/2023, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes. A outra é a PEC nº 8/2025, proposta pela deputada Erika Hilton.
As duas sugerem a redução da jornada para 36 horas semanais, mas o governo federal defende uma transição gradual.
“O governo não recomenda que o Congresso aprove uma redução para 36 horas imediatamente. Se quiser chegar a 36, tem que pensar qual é a progressão no tempo”, explicou Marinho.
De acordo com o ministro, a proposta do Executivo é reduzir inicialmente a jornada para 40 horas semanais, mantendo os salários e garantindo duas folgas por semana. Ele também afirmou que a legislação deve estabelecer regras gerais, enquanto situações específicas podem ser definidas por meio de negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores.
Outro ponto destacado pelo ministro foi o impacto da jornada de trabalho na vida das mulheres. Segundo ele, a redução da carga horária pode ajudar a diminuir desigualdades no mercado de trabalho.
“Muitas vezes a mãe acaba cuidando sozinha da casa, os filhos não ajudam, o pai não ajuda. Ou então a menina ajuda a mãe e o menino não, porque é o ‘macho da casa’”, relatou.
Para Marinho, jornadas extensas acabam dificultando a permanência e o crescimento profissional de muitas trabalhadoras.
Durante a visita ao Estado, a rede de supermercados Extrabom Supermercados anunciou a adoção da escala 5×2 em algumas unidades, incluindo lojas localizadas em Laranjeiras, Gaivotas e Vila Rubim.
Segundo o Grupo Coutinho, dono da rede, a mudança busca tornar as unidades mais atrativas no mercado de trabalho, aumentar a satisfação dos funcionários e melhorar a qualidade do atendimento ao público.
Para o ministro, iniciativas desse tipo podem estimular o debate nacional.
“Felizmente tem empresas que já estão dizendo: esse é o caminho, já vamos começar a resolver, já vamos fazer essa transição. Acho ótimo.”
Durante a entrevista, Marinho também comentou a discussão no Espírito Santo sobre o funcionamento de supermercados aos domingos.
“Com mais tempo para a família, para estudar ou para lazer — teatro e cultura — a pessoa volta mais leve para o trabalho. Isso pode aumentar a produtividade, melhorar a qualidade e até diminuir acidentes e doenças, especialmente mentais”, concluiu.