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Mulheres são resgatadas de centro de recuperação após denúncias de maus-tratos na Serra

Publicado em: 05/03/2026

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Ex-internas, vizinhos e uma ex-funcionária denunciaram falta de alimentação, sujeira e possível acesso a drogas em instituição que funcionava no bairro Porto Dourado.

Ao menos quatro mulheres foram resgatadas de um centro de recuperação para dependentes químicos no bairro Porto Dourado, na Serra, após denúncias de maus-tratos e falta de estrutura feitas por ex-internas, uma ex-funcionária e vizinhos da instituição.

Vídeos gravados no Centro Terapêutico Encontro com a Vida mostram o local desorganizado, com alimentos mal armazenados e utensílios sujos. O espaço foi fechado após agentes da Guarda Civil Municipal da Serra realizarem uma fiscalização no endereço na tarde desta terça-feira (3).

Segundo informações, a internação no local não era gratuita. As mensalidades giravam em torno de R$ 600, e a instituição também recebia doações da comunidade.

A ex-colaboradora do centro terapêutico, Michelle Oliveira, contou que foi até o local na segunda-feira (3) e encontrou as internas sozinhas. Segundo ela, uma das mulheres, uma idosa, estava amarrada a uma cadeira de rodas.

“Vi a geladeira vazia e percebi que não havia alimento para elas. Já eram 18h e ninguém tinha sido alimentado ou tomado banho”, relatou.

Michelle conseguiu retirar algumas mulheres do local e acionou a polícia.

Ex-internas, que preferiram não se identificar, afirmaram que não havia alimentação adequada nem limpeza regular na casa.

“Aquilo ali não é lugar de gente, é lugar de bicho”, relataram.

Suspeita de drogas no local

De acordo com vizinhos e também com relatos das ex-internas, apesar de funcionar como um centro de recuperação para dependentes químicos, as mulheres teriam acesso a drogas dentro da instituição.

“Droga entrava ali toda hora”, afirmou Jéssica, vizinha do projeto.

Responsável pelo projeto enfrenta problemas de saúde

A Prefeitura da Serra informou que está apurando os fatos.

Já o pastor Egrinaldo de Jesus Santos, responsável pela Associação Encontro com a Vida, afirmou que acompanhava de perto o tratamento das internas, mas precisou deixar o estado há cerca de um mês por motivos de saúde e, por isso, não conseguiu prestar apoio ao local durante esse período.

Questionado sobre a existência de um responsável pela casa durante sua ausência, o pastor disse que a pessoa encarregada “deixou a desejar”.

Associação se manifesta

Em nota enviada posteriormente, a associação afirmou reconhecer apontamentos feitos por órgãos competentes sobre a necessidade de adequações no local.

“Situação que foi acolhida com a devida seriedade”, informou a instituição.

Segundo a associação, o projeto é mantido por doações, ajuda de custo e trabalho voluntário, e tem como objetivo acolher mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades relacionadas ao uso de entorpecentes.

Ainda de acordo com a nota, o responsável pelo projeto enfrenta um problema de saúde crônico, o que teria comprometido o acompanhamento integral das atividades.

“Em razão desse quadro, não conseguiu entregar o trabalho que sempre buscou manter, o que lamenta profundamente.”

A associação informou também que as mulheres que estavam no imóvel já retornaram às suas respectivas famílias e que providências estão sendo tomadas para regularizar a situação do espaço.

“A Associação informa que as providências necessárias estão sendo tomadas para a regularização da situação, reafirmando seu compromisso de que toda atuação futura ocorra em condições dignas, seguras e regulares.”

Por fim, a instituição afirmou que não tem conhecimento de atos de violência ou de privação alimentar no local.

“As informações veiculadas publicamente a esse respeito não refletem a realidade vivenciada pela instituição”, concluiu a nota.


Fonte: portal ponto 3