Uma das questões que mais inflacionam o preço da matéria-prima é a incerteza sobre o Estreito de Ormuz. Esse canal que tem de um lado os Emirados Árabes Unidos e Omã e, de outro, o Irã, é rota de mais de 20% do petróleo do mundo e tem impacto também sobre o comércio internacional de outros produtos. A incerteza inibe a logística, em um comportamento reforçado pelo anúncio de grandes seguradoras de cancelamento da cobertura para riscos de guerra.
O Irã ameaça atacar navios que venham a transitar por ali, e o governo americano, numa tentativa de evitar a interdição da navegação, afirma que a Marinha poderá escoltar embarcações pelo Estreito. A inflação é uma preocupação para a Casa Branca. O petróleo WTI, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), para abril, fechou em alta de 4,7% (US$ 3,33), a US$ 74,56 o barril.
A Saudi Aramco estuda enviar mais cargas para Yanbu, porto no Mar Vermelho fora do Golfo Pérsico, onde dezenas de navios estão ancorados enquanto o Estreito de Ormuz segue fechado. A petroleira saudita costuma exportar quase todo o seu petróleo bruto por terminais no Golfo.
Gasolina, gás e diesel mais caros
Os preços do gás natural e do diesel também saltaram. Na Europa, o custo do gás natural Dutch TTF disparou 20,4%, enquanto o diesel Low Suphur avançava 9,3%, ambos negociados na ICE, por volta das 16h40 (de Brasília). Nos EUA, o gás natural Henry Hub subia 3,2%, enquanto o diesel Harbor saltava 10,2%.
O preço médio do galão de gasolina (3,785 litros) subiu US$ 0,11 da noite de segunda-feira para a manhã de terça nos Estados Unidos, e os condutores da Europa tiveram de fazer fila para encher seus tanques. Dependendo da duração da guerra, a dor dos preços mais altos poderá aumentar nas próximas semanas e poderá sentir-se com mais força nas zonas que dependem das importações.
Os preços do diesel dispararam 27% na Europa desde o inverno, chegando a US$ 0,16 por litro, disse Susan Bell, vice-presidente sênior de mercados de materiais primários na Rystad Energy.
Nos EUA, Anne Dulske pagou US$ 15 a mais do que o habitual para encher seu tanque em uma posto de Jackson, no Mississippi, nesta terça-feira. “Vai afetar tudo em nossas vidas”, disse. “Dá muito miedo, e nos afeta mais próximo do que a gente pensa.”
Dulske disse que antes havia notado que os preços da gasolina vinham baixando lentamente e afirmou ter sido pega desprevenida pela notícia de que os Estados Unidos e Israel tinham atacado o Irã durante o final da semana.