
Uma mulher de 27 anos foi presa suspeita de omissão após permitir que a filha, de 11 anos, fosse agredida pelo padrasto, em Cariacica.
Segundo informações, a criança esteve na escola na segunda-feira (2), quando profissionais notaram hematomas pelo corpo da aluna. Diante da suspeita de agressões, o Conselho Tutelar foi acionado.
Aos conselheiros, a menina confirmou que teria sido castigada como punição por supostamente ter pegado um brinco em uma loja e jujubas. Ela relatou que foi obrigada a permanecer ajoelhada por cerca de 30 minutos sobre caroços de feijão enquanto recebia cintadas e golpes com fios de energia.
Autorizada pela avó, a criança afirmou que não foi a primeira vez que sofreu agressões e que já havia sido submetida a castigos semelhantes anteriormente. A menina declarou ainda que deseja que o agressor seja preso.
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que a mãe foi conduzida à Delegacia Regional de Cariacica, autuada em flagrante por maus-tratos e encaminhada ao Centro Prisional Feminino de Cariacica.
O padrasto não foi localizado. Segundo informações, ele teria fugido após a denúncia e, até o momento, não foi encontrado pela polícia.
A avó da criança relatou que já acompanhava a situação vivida pela neta e revelou que a menina havia pedido para morar com ela. Emocionada, afirmou viver uma situação difícil ao ver a neta machucada e a filha presa.
A tia da criança também cobrou justiça e destacou que a escola foi fundamental para identificar os sinais de agressão.
A psicóloga Kamila Vilela de Souza, mestre e doutoranda em Psicologia Institucional e especialista em desenvolvimento infantil, alertou que o castigo físico não possui caráter educativo e pode deixar marcas profundas na formação emocional da criança.
Segundo a profissional, a agressão não corrige comportamentos e pode gerar consequências imediatas, como alterações de humor, sono e alimentação, além de impactos a longo prazo, como baixa autoestima, dificuldade de estabelecer vínculos e naturalização da violência.
“O castigo físico nunca vai ensinar, ele não muda o comportamento. A raiva não ensina. O que ensina é acolher e dialogar”, destacou.
A especialista reforça que a educação deve ser baseada em diálogo, orientação clara e acompanhamento familiar, considerando também fatores sociais que influenciam no desenvolvimento infantil.
O caso segue sob investigação.