
Em reunião com a coordenação nacional do Projeto Tamar/ICMBio, a equipe local celebrou um aumento de 40% no número de ninhos e a presença da rara tartaruga-de-couro.
A Ilha de Guriri reafirmou, na última temporada, sua importância vital para a biodiversidade marinha global. Durante um encontro estratégico para apresentação do balanço das ações de preservação de 2025, o coordenador nacional do Centro Tamar/ICMBio, João Carlos Alciati, o “Joca”, destacou números que colocam a região em um novo patamar de conservação ambiental.
Os dados apresentados pela equipe técnica de Guriri impressionam. Entre setembro de 2024 e o início de 2025, a ilha registrou quase 400 ninhos de tartarugas marinhas. O volume representa um salto de 40% em relação à média dos anos anteriores, evidenciando a eficácia dos esforços contínuos de monitoramento e proteção da faixa costeira.
Segundo Joca, o resultado é fruto de um trabalho de longa duração.
“É um histórico de mais de 30 anos de dedicação na ilha, que vem sendo aprimorado. Agora estamos colhendo frutos com novas perspectivas de avanço para esta costa tão linda”, afirmou o coordenador.
Um dos pontos altos do balanço foi a confirmação de 10 ninhos da tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), a maior espécie de tartaruga marinha do mundo e uma das mais ameaçadas de extinção.
A escolha das areias de Guriri por essa espécie rara é considerada um forte indicador de qualidade ambiental e de segurança do habitat.
O sucesso da temporada não é creditado apenas à natureza. O trabalho da equipe do Centro Tamar/ICMBio em Guriri foi amplamente reconhecido pela gestão municipal e pela comunidade.
O isolamento adequado dos ninhos, a limpeza das praias e as ações de educação ambiental junto a turistas e moradores foram apontados como pilares para o alto índice de eclosão.
“Queremos agradecer imensamente ao Joca e a toda a sua equipe. O apoio e o zelo que eles têm com a nossa ‘Ilha da Tartaruga’ garantem que Guriri não seja apenas um destino turístico, mas um santuário de vida”, destacou o prefeito Marcus Batista.
Com o encerramento do ciclo de 2025, o planejamento para 2026 já está em andamento. O foco agora é ampliar as áreas de monitoramento e intensificar parcerias para combater a iluminação artificial nas praias, a chamada fotopoluição, um dos maiores desafios para os filhotes que precisam encontrar o caminho do mar após o nascimento.
A preservação é um esforço coletivo. E, se depender dos números deste último ano, o futuro das tartarugas marinhas em Guriri segue promissor, tão vasto quanto o oceano que as espera.