
Foram 161 dias de internação, mais de cinco meses de luta desde o nascimento até a alta hospitalar. A pequena Jade Moura do Carmo da Silva, filha de Jenifer de Moura Santos Silva e Fernando Victor do Carmo da Silva, recebeu alta do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) no último dia 16 de janeiro, após uma longa trajetória de cuidados intensivos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN).
Diagnosticada como prematura extrema, com restrição de crescimento intrauterino, Jade enfrentou diversas complicações associadas à prematuridade, como dificuldades respiratórias, infecções, anemia e alterações cardíacas, pulmonares, oftalmológicas e endocrinológicas.
“Ela é nosso pequeno milagre. Tive complicações na gestação das gêmeas e identificaram a necessidade da cesárea para não perdermos as duas crianças e conseguir salvar a vida de, pelo menos, uma delas. A Jade era o bebê menor e achávamos que a perderíamos. Tivemos medo de ela não resistir também, porque passou por diversos procedimentos, cirurgia no coração e tratamos os olhinhos. Sair de alta é uma emoção sem fim”, relatou a mãe, Jenifer.

Durante a internação, a bebê precisou de ventilação mecânica e passou por procedimentos de alta complexidade, incluindo uma cirurgia cardíaca para correção de canal arterial patente e tratamento a laser para retinopatia da prematuridade, conforme explicou o médico neonatologista e coordenador médico da UTIN do Himaba, Lincoln Bertholi Rohr.
“Bebês prematuros são sempre um grande desafio, em razão da condição clínica e das complicações decorrentes da prematuridade. Conseguimos vencer todas as etapas do tratamento, e é uma alegria para toda a equipe realizar essa alta. A Jade deixa o hospital em condições muito boas, respirando em ar ambiente, se alimentando pela via oral, ganhando peso e preparada para ter uma vida saudável”, destacou o médico.
Referência no cuidado neonatal, o Himaba é atualmente o único hospital do Espírito Santo com o selo nacional da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC). Para o diretor-geral da unidade, Cláudio Amorim, a história da bebê simboliza mais do que um tratamento bem-sucedido.
“Histórias como a da Jade nos lembram que o hospital não é apenas um lugar de tratamento, mas também de vínculos, humanidade e recomeços”, afirmou.
Para a mãe, o período na UTIN foi marcado por medo, aprendizado e fortalecimento da fé.
“Acreditei no processo, confiei em Deus e compreendi que nem tudo acontece do nosso jeito. Durante a internação da Jade, aprendi a viver um dia de cada vez. Às mães que estão passando por essa batalha com seus filhos, deixo a mensagem para não desistirem e acreditarem no processo. É preciso confiar, esperar e seguir vivendo um dia de cada vez”, finalizou Jenifer.