Temer afasta capixaba da vice-presidência da Caixa

Antônio Carlos Ferreira é alvo de investigações por suspeita de corrupção. Outros três vice-presidentes do banco também foram afetados por decisão de Temer
 
VITÓRIA (ES) – O presidente Michel Temer (PMDB) decidiu afastar por 15 dias quatro vice-presidentes da Caixa. Entre eles está o capixaba Antônio Carlos Ferreira, vice-presidente Corporativo do banco. A medida foi tomada após recomendação do Banco Central (BC) e do Ministério Público Federal (MPF). Investigações apontam suspeitas de corrupção e outras irregularidades envolvendo executivos da instituição.
 
O afastamento foi informado pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República nesta terça-feira (16). De acordo com a nota, o prazo determinado é para que os executivos possam “apresentar ampla defesa das acusações”. Ferreira atuou como superintendente da Caixa no Espírito Santo durante nove anos.
 
Também são afetados pela decisão Deusdina dos Reis Pereira (vice-presidente de Loterias), Roberto Derziê de Sant’Ana (vice-presidente de Governo) e José Henrique Marques da Cruz (Clientes, Negócios e Transformação Digital). O banco tem outros oito vice-presidentes que continuam no cargo.
 

O MPF pediu o afastamento de todos os vice-presidentes, enquanto o BC sugeriu a saída apenas dos investigados. Os dois órgãos não solicitaram, contudo, o prazo de 15 dias. O pedido do Banco Central foi encaminhado no dia 10 de janeiro à presidente do Conselho de Administração da Caixa, Ana Paula Vescovi, também chefe do Tesouro.

INVESTIGAÇÕES

Documentos apontaram várias interferências políticas envolvendo os vices da Caixa. Entre elas, do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para Antônio Carlos Ferreira.

O MPF cita o fato de o próprio Ferreira ter contado que Cunha colocou condições para mantê-lo no cargo. Entre elas, encontrar-se com o deputado. Ele disse que não entendeu que seria uma reunião para prestar contas. Outra condicional era fornecer listas de operações acima de R$ 50 milhões para ajudar a “rentabilizar seu mandato”, de acordo com o Ministério Público.

Os procuradores relatam ainda pedidos de financiamento de campanha e uma possível influência do ex-ministro Pereira e também do deputado Celso Russomano (PRB-SP).

Ferreira teria dito aos investigadores que quatro consultores que trabalhavam com o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) poderiam ser fontes de vazamento de informações privilegiadas da Caixa. E que, depois do afastamento de um deles, Rodrigo Rocha Loures (ex-deputado flagrado ao correr com malas de dinheiro) teria procurado o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, para tratar de operações de interesse da Rodrimar, que opera no Porto de Santos.

O executivo capixaba já tinha sido citado na delação de Joesley Batista, dono da JBS, por ter pedido propina de R$ 6 milhões para ser repassada ao ex-ministro do Desenvolvimento, o capixaba Marcos Pereira (PRB).


(*Com informações do Gazeta on line)

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